há horas em que o silêncio da noite escorre-me pelas mãos como um suor frio carregado de uma estranha solidão. afasta-me irrecuperavelmente de tudo, até ao ponto em que a noite é toda escura e os anjos não são mais do que sombras mortas diluídas num imenso mar de negro. nessas horas em que sorvo o meu próprio veneno é difícil escutar os ecos que me lançam em forma de coração. então eles, os amigos, gritam mais alto, juntam-se em coro misturando todas as cordas para que a voz seja una, grave e forte. no fundo do tímpano entreabre-se uma porta e suavemente o estribo começa a entoar a melodia. agarro-me a cada nota com muita força e começo a construir o lençol que me leva até eles. quando o som é já tão próximo e o ar quente das suas vozes é uma brisa de amor na minha face, choro. e de lágrimas no rosto atiro-me nos seus braços pedindo-lhes desculpa pela minha imensa surdez.
0 Respostas a “aos meus amigos”
Comentar