um dia disseste-me que havia magia no mundo e eu não acreditei. foram tempos de cegueira esses, quando me oferecias a paz e eu nem o azul recebia. depois, amor, fui rasgando as toalhas e os guardanapos do café, pintando-os com a minha caligrafia coxa, tentando que cada palavra aproximasse o meu olhar do teu. foram esquissos, ensaios para chegar a ti. hoje, rabiscar em toalhas de café não faz sentido. e o mundo amor? o mundo continuará a falar dos cascos das árvores, do riso das crianças, da ternura dos velhos, da alegria leve dos campos ao fim da tarde e da vida apaixonada das cidades. foi tudo isso, amor, foi magia que enraizaste em mim.
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